Santo Elias"Cada Ordem toma o seu nome de um lugar ou de um Santo" escreve João Baconthorp, Carmelita Inglês do séc. XIV. No caso dos Carmelitas, recebem o nome devido ao Monte Carmelo, Monte da Palestina, junto do Mediterrâneo e da Baía de Haifa, pois foi aí que viveram os primeiros monges, junto da fonte de Elias.

Quanto à data do início da Ordem Carmelita, não há muita certeza e é um ponto de discussão que se tornou clássico na história da Igreja, pois é difícil de precisar. É como que um labirinto histórico onde os historiadores se dividem. Por um lado, aparecem lendas piedosas sem qualquer valor histórico; por outro, há uma grande quantidade de documentos, fruto da pesquisa dos historiadores do séc. XX, que provocaram um renascimento da história da Ordem. Há, no entanto, dois fenômenos marcantes no séc. XI e XII que interessam para a história da Ordem:

  • ressurgimento da vida eremítica;
  • as peregrinações maciças à Terra Santa, conhecidas como Cruzadas.

Profeta Elias

 

A Ordem do Carmelo reconhece no Profeta Elias a seu pai e fundador, não materialmente e sim espiritualmente. Também o Igreja o vê assim. Quem era Elias? Que fez para que a Ordem o considere como fundador?

Elias é o Profeta que causou a mais profunda e duradoura impressão no Povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

 

Sua vida se situa aproximadamente entre os anos 910 a 850 a.C. Seu nome significa "Javé é Deus". Nasceu em Tebis, na Tranjordânia. Ao desaparecer, o continuam esperando. Malaquias, o último dos Profetas, esperou sempre o regresso de Elias (Ml 3,23).

O Profeta Elias aparece na Sagrada Escritura como o homem que caminha sempre na presença de Deus e combate, inflamado de zelo pelo culto do único e verdadeiro Deus. Reinvindica os direitos no desafio feito aos do Monte Carmelo, goza no Horeb da íntima experiância de Deus Vivo.

Segundo a Tradição, os primeiros eremitas, que no século XIII iniciaram a vida monástica no Monte Carmelo em honra da Virgem Maria, voltaram-se para Elias, tomando-o como exemplo da própria vida, juntamente com a Mãe de Deus.

É um dado certo que os religiosos carmelitas têm sua origem no Oriente e mais certamente no Monte Carmelo, de onde se deriva seu nome, junto à fonte de Elias. É um feito de Elias, ao desaparecer em seu carro de fogo, fez repousar seu duplo espírito sobre o seu discípulo Eliseu e deixou sucessores após si...Elias é uma fonte inspiradora, uma figura, um protótipo para os Carmelitas.

Os ermitões nos Carmelos viviam agrupados ou independentes. Levavam os monges cada um sua vida autônoma e regime de vida próprio. Não haviam leis jurídicas que os unissem.

Na idade média essa vida independente foi desaparecendo e o modo de viver no Carmelo começou a ser regulado juridicamente, através de constituições canônicas sociais.


Entre 1153 e 1159, Bertoldo, por inspiração do profeta Elias, dirige-se para o Monte Carmelo. Aí, com o auxílio do seu tio, o Patriarca D. Aymerico de Malafaida, constrói uma pequena capela perto da gruta de Elias. Aos poucos, cresce o número de eremitas que se espalham por todo o Monte, vivendo separados uns dos outros em pequenas cavernas, procurando assim imitar Elias. Reuniu em um mosteiro os ermitões que andavam dispersos pelas grutas do Monte Carmelo e os fez prometer obediência a um superior, são Bertoldo.

São Bertoldo nasceu por volta de 1078 e governou a Ordem durante 45 anos.


Foi eleito segundo prior do Monte Carmelo São Brocardo, de origem alemã, embora nascido em Jerusalém, que governou a Ordem durante 33 anos, de 1188 a 1221. Brocardo organizou o Carmelo definitivamente. Terminou primeiro o mosteiro iniciado por São Bertoldo junto à fonte de Elias. Logo formulou a Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, 10 questões, nas quais expunha as dúvidase necessidades que se apresentavam à vida no Monte Carmelo. Segundo isto Santo Alberto redigiu uma Regra.

Sto Alberto
Podemos considerar, por isso, esta Regra como a codificação da vida que os Carmelitas já levavam no Monte Carmelo. Podemos chegar a esta conclusão baseando-nos nas palavras da Introdução da Regra: "...visto que nos pedis uma Norma de Vida que corresponda à vossa aspiração..."

 

No entanto, não foi fácil. Quando, em 1215, o Concílio de Latrão proibia o estabelecimento de novas Ordens Religiosas, vários Prelados da Terra Santa começaram a contestar o direito de existência aos Carmelitas, visto eles não terem ainda aprovação pontifícia.

Os Carmelitas, então acudiram ao Papa, a quem apareceu a Santíssima Virgem pedindo-lhe que aprovasse sua Ordem, e como sinal certo de sua intervenção, lhe anunciou a morte de 2 elementos da Cúria Romana que mais se opunham. Fruto desta intervenção de Maria foi a Bula de Honório III, de 3 de fevereiro de 1226, aprovando a Ordem. A partir desta data se calcula a existência canônica do Carmelo.

Papa Honório III e os Carmelitas

 

A primeira emigração para Europa fez-se entre 1226 e 1229. As primeiras fundações na Europa mostram-nos claramente a intenção dos eremitas refugiados continuarem a vida solitária e contemplativa. São prova disso os conventos de Aygalades, perto de Marselha, Aylesford e Cambridge, que eram verdadeiros eremitérios construídos segundo a Regra de Santo Alberto. Esta primeira vinda para a Europa foi quase uma aventura, mas torna-se obrigatória, em 1237, devido às perseguições dos Islamitas. Todos os eremitas europeus recebem ordem de regressar aos seus países de origem.

A emigração definitiva foi no ano de 1291, os Religiosos que continuaram no Monte Carmelo foram todos massacrados. A Ordem Carmelita salvou-se porque já tinha criado raízes na Europa. Ao Monte Carmelo não voltariam os Carmelitas até o século XVII, encabeçados pelo Pe. Próspero do Espírito Santo, OCD. A partir de então, 1631, viveram aí ininterruptamente os Carmelitas de Santa Teresa.

Não foi nada fácil a adaptação à Europa, pois, aí, a vida tinha outras exigências que não tinha a vida eremítica. Em 1229, o Papa Gregório IX obriga-os a uma pobreza mais estrita, equiparando-os às Ordens Mendicantes: tinham que procurar o seu sustento numa vida mais ativa. Todavia, eram proibidos por muitos Bispos de viverem nas cidades, em sítios ermos, conforme mandava a Regra.

São Simão Stock

 

Foi nestas circunstâncias difíceis que se celebrou o primeiro Capítulo Geral, em Aylesford, em 1245, sendo eleito Prior Geral Simão Stock, a quem Nossa senhora entregou o Escapulário do Carmo. Este, vendo as dificuldades, pediu ao Papa a adaptação da Regra às novas situações. Esta adaptação foi-lhe concedida pelo Papa Inocêncio IV, em 1 de Outubro de 1247, mediante a Bula Quae honorem conditoris. Mediante a adaptação da Regra à nova situação, iniciou-se uma nova vida e uma nova era na Ordem Carmelita. A exemplo das outras Ordens Mendicantes, Simão Stock fundou conventos nas cidades universitárias: Cambridge, 1249; Oxford, 1253; Paris, 1259; Bolonha, 1260.

 

 

O Santo Geral trabalhou incansável e acertadamente para superar a criseem circunstâncias extremamente difíceis, organizando e legalizando a Ordem em sua addaptação ao novo gênero de vida. Recorre à Santa Sé, e o Papa Inocêncio IV responde favoravelmente, equiparando o Carmelo com as Ordens Mendicantes com todos os efeitos jurídicos inerentes e dá as bases para o passo para a vida ativa.

O Carmelo atraiu o carinho e a admiração da sociedade, agregando-se muitos leigos a ele. Nasceram então as Confrarias da segunda e terceira Ordem. Era comum naquela época que fiéis se filiassem a uma Ordem Religiosa para participar de seu espírito e de seus méritos. As Ordens então fundaram irmandades e confrarias. Encontramos vestígios do início da Ordem Terceira na segunda metade do século XIII.

Algo semelhante existia entre a segunda e a terceira ordem feminina, que não se diferenciam com precisão, até sua organização jurídica no tempo do Beato Soreth e Beata Francisca de Amboise, 1452. Tal é a origem das monjas Carmelitas. Soreth deu as primeiras Constituições as Carmelitas e a peimeira Regra à Ordem Terceira.

 

 
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